Dente do siso incluso: o que acontece quando o dente não consegue nascer e por que ignorar pode custar caro
- BCX Odontologia
- 13 de abr.
- 9 min de leitura

A dor que vem de um dente que nunca chegou a aparecer
Começa como um desconforto no fundo da boca. Uma pressão surda que você não consegue localizar direito. Às vezes dói ao mastigar. Às vezes a gengiva fica inchada numa região que você nem consegue ver direito no espelho. Às vezes a dor irradia para o ouvido, para a mandíbula, para a cabeça, e você passa semanas tratando o sintoma sem saber de onde ele vem.
Outras vezes não tem dor nenhuma. O dente do siso incluso fica anos sem dar sinal, silencioso, fazendo o que não deveria de forma tão discreta que só aparece num raio-x de rotina. E aí vem a pergunta que todo paciente faz quando o dentista aponta para a imagem: precisa mesmo tirar se não está doendo?
Essa é provavelmente a pergunta mais frequente relacionada ao siso incluso, e a resposta honesta é mais complexa do que um sim ou não direto. O que este artigo vai explicar é o que exatamente acontece quando o siso fica preso, quais os riscos de deixar, quando a extração é inevitável e por que esse procedimento, quando realizado por profissional com formação adequada, é muito mais seguro e controlado do que a maioria das pessoas imagina.
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O que é o dente do siso incluso e por que ele fica preso
Os terceiros molares, popularmente conhecidos como dentes do siso, são os últimos dentes a erupcionar na arcada. Surgem geralmente entre os dezessete e os vinte e cinco anos, num período em que os outros vinte e oito dentes permanentes já ocupam seus lugares. Esse timing tardio é exatamente o que cria o problema.
Na maioria das pessoas, o espaço disponível na arcada não é suficiente para acomodar mais quatro dentes. O siso tenta erupcionar, encontra uma barreira óssea, gengival ou o próprio dente vizinho, e fica retido. Esse é o dente incluso: um dente que não conseguiu completar sua trajetória de erupção e ficou parcial ou totalmente dentro do osso ou da gengiva.
A inclinação com que o siso fica retido varia. Ele pode estar inclinado em direção ao dente vizinho, o que caracteriza a inclusão mesioangular, a mais comum. Pode estar posicionado horizontalmente, completamente deitado dentro do osso. Pode estar inclinado para o lado oposto ou em posição vertical mas sem espaço suficiente para erupcionar completamente. Cada uma dessas posições tem implicações clínicas diferentes para o tratamento.

Incluso, impactado ou semi-incluso: diferenças que importam clinicamente
O siso totalmente incluso está completamente coberto por osso ou gengiva e não tem comunicação com a cavidade oral. O semi-incluso erupcinou parcialmente, com parte da coroa exposta para a boca. Essa situação parcial é frequentemente a mais problemática do ponto de vista infeccioso, porque a abertura criada pela erupção incompleta forma uma bolsa entre a gengiva e o dente que acumula bactérias com facilidade e é impossível de higienizar adequadamente.
Antes da consulta: o que o dente do siso incluso pode estar causando sem que você perceba
A ausência de dor não significa ausência de problema. Essa é a informação mais importante para quem tem siso incluso e está postergando a avaliação porque não sente nada.
Danos ao dente vizinho
O segundo molar, que é o dente imediatamente à frente do siso, é a estrutura mais vulnerável quando o siso está inclinado em sua direção. A pressão constante do siso incluso contra o segundo molar pode causar reabsorção radicular, um processo em que a raiz do dente vizinho é progressivamente destruída pelo contato com o siso. Esse dano ocorre sem dor, avança de forma lenta e só é detectado em exames de imagem. Quando encontrado em estágio avançado, pode comprometer irreversivelmente um dente que nunca apresentou nenhum sintoma.
Além da reabsorção, o espaço entre o segundo molar e o siso semi-incluso é uma área de acúmulo permanente de placa que o paciente não consegue acessar com escova ou fio dental. Cáries no segundo molar nessa região são comuns em pacientes com siso semi-incluso e muitas vezes só são detectadas quando já atingiram profundidade considerável.
Pericoronarite: a infecção que vem da gengiva sobre o siso
A pericoronarite é a infecção da gengiva que cobre o siso semi-incluso. A bolsa formada entre o dente e a gengiva acumula restos alimentares e bactérias que provocam inflamação crônica com episódios agudos de dor intensa, inchaço, dificuldade de abrir a boca e, nos casos mais graves, propagação da infecção para os espaços profundos do pescoço e da face.
Pacientes com pericoronarite recorrente frequentemente chegam ao consultório após múltiplos episódios tratados com antibiótico, sem que ninguém tenha indicado a resolução definitiva do problema. O antibiótico controla o episódio agudo, mas não resolve a causa. Enquanto o dente permanecer semi-incluso, a infecção vai voltar.
Cistos e tumores associados ao siso incluso
Todo dente incluso é envolto por um saco pericoronário, que é um tecido normal presente em torno de qualquer dente em formação. No siso incluso, esse saco pode se transformar em cisto dentígero ao longo do tempo, especialmente quando o dente permanece retido por muitos anos. Cistos dentígeros crescem lentamente dentro do osso, destroem estrutura óssea ao redor e podem atingir dimensões consideráveis antes de serem detectados.
Em uma minoria dos casos, transformações mais sérias podem ocorrer dentro do saco pericoronário de sisos inclusos de longa data. Esse risco, embora não seja alto em termos absolutos, é uma das razões pelas quais a indicação de extração preventiva em jovens é tão consistente na literatura odontológica.
Durante a consulta: como é avaliado e como é realizado o procedimento
A avaliação do siso incluso começa com exame clínico e radiográfico. A tomografia computadorizada de feixe cônico, quando indicada, oferece uma visualização tridimensional da posição do siso, da relação com o nervo alveolar inferior e da condição das estruturas adjacentes. Esse nível de detalhe é o que permite planejar a extração com precisão e antecipar dificuldades técnicas antes de o procedimento começar.

O que define a complexidade da extração
Nem toda extração de siso incluso tem o mesmo grau de dificuldade. A posição do dente dentro do osso, a profundidade da inclusão, a angulação, a curvatura das raízes, a proximidade com o nervo alveolar inferior e a densidade óssea do paciente são fatores que influenciam diretamente na complexidade do procedimento.
Sisos totalmente inclusos em posição horizontal, profundos, com raízes em proximidade com o nervo, ou em situações anatômicas que exigem acesso cirúrgico mais amplo são casos que demandam formação cirúrgica específica para serem conduzidos com segurança e com mínimo de intercorrências.
Por que a formação do profissional define o resultado
É nesse ponto que a escolha do profissional se torna determinante. A extração de siso incluso é um dos procedimentos mais realizados na odontologia, mas também um dos que apresenta maior variação de complexidade entre os casos. Um siso semi-incluso em posição favorável pode ser removido por um cirurgião-dentista com treinamento básico em cirurgia. Um siso totalmente incluso em posição desfavorável, com raízes próximas ao nervo alveolar inferior, exige a precisão de um cirurgião bucomaxilofacial com experiência real em casos de alta complexidade.
A BCX Odontologia conta com o Dr. Lucas Maia, CROSP 131.233, para os casos que exigem esse nível de formação. Cirurgião bucomaxilofacial com sólida formação nacional e internacional, o Dr. Lucas Maia é membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e oficial do Exército Brasileiro. Sua especialização em cirurgia bucomaxilofacial inclui fellowship realizado na Espanha, com foco em casos de alta complexidade e reabilitação funcional e estética facial.
Essa formação, construída em ambientes clínicos de referência no Brasil e no exterior, é o que permite ao Dr. Lucas Maia conduzir extrações de sisos inclusos em situações anatomicamente desafiadoras com um planejamento preciso, técnica cirúrgica refinada e manejo de possíveis intercorrências dentro do mais alto padrão de segurança. Pacientes que chegam com casos que foram recusados ou adiados em outros consultórios por complexidade encontram na BCX Odontologia a estrutura e o profissional certos para avançar.

O procedimento em si: o que acontece na cadeira
A extração de siso incluso é realizada sob anestesia local. Para pacientes com ansiedade odontológica, a sedação consciente é uma opção disponível que torna todo o procedimento muito mais tranquilo, sem que seja necessário suportar a tensão de estar acordado e alerta durante uma cirurgia que envolve sons e sensações que tendem a amplificar o desconforto emocional.
Com a anestesia estabelecida, o acesso cirúrgico é feito através de uma incisão na gengiva que expõe o osso sobre o dente. Quando necessário, parte do osso é removida para liberar o acesso ao dente. O siso pode ser extraído inteiro ou seccionado em partes, dependendo da posição e da anatomia das raízes. A gengiva é suturada ao final do procedimento.
O tempo de procedimento varia de acordo com a complexidade do caso. Uma extração simples pode levar vinte a trinta minutos. Casos mais complexos podem exigir um tempo cirúrgico maior.
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Depois da consulta: o que esperar na recuperação e como cuidar para que tudo evolua bem
O período pós-operatório da extração de siso incluso é, para muitos pacientes, a maior preocupação. E é também a etapa sobre a qual circulam mais mitos do que informação confiável.
O que é normal nas primeiras 48 horas
Inchaço facial na região operada é esperado e tende a atingir o pico entre o segundo e o terceiro dia após o procedimento. Não é sinal de complicação. É a resposta inflamatória natural do tecido à intervenção cirúrgica. Compressa fria nas primeiras horas após o procedimento ajuda a limitar o inchaço dentro de uma faixa confortável.
Dor controlável com os analgésicos prescritos, sangramento leve nas primeiras horas, dificuldade de abrir a boca completamente nos primeiros dias e sensibilidade na região operada são todos parte do processo normal de recuperação. A intensidade desses sintomas varia de acordo com a complexidade da extração e com a resposta individual de cada paciente.
O que precisa de atenção imediata
Dor que aumenta progressivamente após o terceiro dia, em vez de diminuir, pode indicar alveolite, uma condição em que o coágulo que protege o alvéolo é dissolvido precocemente, deixando o osso exposto. É a complicação mais comum após extração de siso e tem tratamento simples quando identificada cedo.
Febre, inchaço que se expande rapidamente para o pescoço, dificuldade de deglutição e sensação de que a garganta está fechando são sinais que exigem avaliação imediata e não devem ser aguardados até a consulta de retorno.
A recuperação completa e o que muda depois
O tecido mole se recupera em uma a duas semanas. A remodelação óssea do alvéolo leva alguns meses para se completar. Na maioria dos casos, após a recuperação completa, os pacientes relatam que o desconforto do pós-operatório foi menor do que antecipavam, especialmente quando comparado ao histórico de episódios de dor e infecção que o siso incluso produzia antes da extração.
A prevenção sempre custa menos do que o tratamento da complicação
Extrações realizadas em pacientes jovens, com osso mais elástico, raízes menos formadas e sem histórico de infecção prévia, são tecnicamente mais simples e têm recuperação mais rápida do que extrações realizadas em pacientes mais velhos ou em situações de urgência. Esse argumento, repetido na literatura odontológica há décadas, continua válido: a extração preventiva do siso incluso em adultos jovens é quase sempre mais simples do que a extração do mesmo dente após anos de complicações.
Perguntas frequentes sobre dente do siso incluso
Todo siso incluso precisa ser extraído?
Não necessariamente. Sisos totalmente inclusos que estão em posição estável, sem associação com cistos, sem causar dano ao dente vizinho e sem risco de complicações futuras podem ser monitorados periodicamente. A decisão de extrair ou acompanhar é sempre baseada numa avaliação individualizada que considera posição, risco de complicações e condição geral do paciente. O que não é recomendado é ignorar sem acompanhamento regular.
Com que idade é melhor tirar o siso incluso?
O consenso clínico favorece a extração em adultos jovens, entre dezoito e vinte e cinco anos, quando as raízes ainda não estão completamente formadas, o osso é mais elástico e a recuperação tende a ser mais rápida. Com o avançar da idade, o osso se torna mais denso, as raízes mais longas e curvas, e a recuperação mais demorada. Isso não significa que extrações em pacientes mais velhos não sejam possíveis, mas o argumento a favor da intervenção precoce é clinicamente sólido.
A extração de siso incluso dói?
Durante o procedimento, não. A anestesia local elimina a sensação de dor. O paciente pode sentir pressão e vibração, mas não dor. No pós-operatório, o desconforto é controlável com os analgésicos prescritos e tende a diminuir progressivamente a partir do terceiro dia. Para pacientes com ansiedade, a sedação consciente está disponível e torna toda a experiência muito mais tranquila.
O siso incluso pode causar dor de ouvido?
Sim. A proximidade anatômica entre o siso inferior e a articulação temporomandibular, aliada à inervação da região, pode fazer com que a dor originada no siso irradie para o ouvido, para a mandíbula e para a cabeça. Pacientes com dor de ouvido sem causa identificada pelo otorrinolaringologista devem considerar a avaliação odontológica do siso como parte da investigação.
Posso fazer a extração do siso com plano odontológico?
Depende do plano e da cobertura contratada. Extrações simples costumam estar incluídas em muitos planos. Extrações cirúrgicas de sisos inclusos de maior complexidade frequentemente não estão cobertas ou têm cobertura parcial. É importante verificar a cobertura antes de iniciar o planejamento para evitar surpresas no momento do procedimento.
Quanto tempo dura a recuperação completa?
O desconforto mais intenso costuma durar entre três e cinco dias. A sutura é removida entre sete e dez dias após o procedimento. A gengiva fecha completamente em duas a três semanas. A remodelação óssea do alvéolo leva alguns meses, mas o paciente não percebe esse processo porque não há sintoma associado. A maioria das pessoas retorna às atividades normais em três a cinco dias após a extração.
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Escrito por:
Dra. Beatriz Kawamoto
CROSP: 133.746
Cirurgiã-Dentista formada pela USP
Cursou Odontologia no Japão, na Okayama University
MBA em Gestão e Inovação pela DNA USP
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